Entrevista com André Freitas, da PTWebtech
Na continuação da nossa série de entrevistas hoje falamos com André Freitas, Director Executivo da PTWebtech. Esta é mais uma entrevista aos responsáveis das empresas de alojamento web a operar em Portugal. Clique aqui para ver as entrevistas já realizadas.
Fale-nos um pouco da empresa. Como nasceu e o que o inspirou a entrar no mercado do alojamento web ?
A ideia da PTWebtech surgiu a partir de um fórum de Informática que eu tinha (hardwaretuga.com) onde tínhamos uma secção de criação de sites e logotipos grátis. Na altura era uma coisa simples, ajudavamos pessoas que queriam ter o seu site e não sabiam onde começar, contudo havia sempre um problema, o Alojamento para esses sites que tínhamos ajudado a criar. Tinha-se de usar um Alojamento Grátis que por vezes não era muito rápido e o painel de controlo não era muito inteligível.
Apesar de existir na altura projectos portugueses os utilizadores tinham de colocar posts no fórum e para quem era impaciente não era muito vantajoso. Em Novembro de 2007, aliado à minha paixão pela Webmastering, a necessidade de ter independência no Alojamento, ter uma solução para aqueles que tinham sites no fórum e principalmente liberalizar o mercado regional da Madeira de Alojamento, foi criada assim a PTWebtech. O nome deriva de Portugal Web e Tecnologias onde pretendo salientar estes termos. Inicialmente comecei com Alojamento nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e depois em Portugal (Nacional). Fui das primeiras pequenas empresas em Portugal que começou a vender Alojamento Nacional a preços muito competitivos porque, aliás, muitas das empresas que conhecia-se na altura tinham Alojamento Internacional.
O que distingue a empresa dos seus concorrentes e como justifica o seu sucesso online ?
Na minha opinião acho que a PTWebtech destaca-se no modo de como lidamos com os clientes e a gestão de serviços. A partir do momento em que recebemos o pagamento do cliente e activamos o serviço o apoio ao cliente nunca se torna passivo. Esforço-me muito por dar um suporte dinâmico e tratar cada cliente como uma “pessoa”, pergunto sempre se precisa de alguma coisa e se está tudo bem. O serviço onde destacamo-nos muito a nível nacional e que tem crescido para nós fazendo parte do sucesso é o registo de domínios onde temos preços muito competitivos, no início chegamos a ter domínios .com a 4,99 € mas depois houve uma subida geral de preços na ICANN e a desvalorização do Euro. A PTWebtech é também das raras empresas na Madeira que têm Servidor Dedicado, estimo que só exista mais uma.
Acho que como pessoas que somos e que lidamos com muitos clientes devemos ter sempre, como diz-se “corpo são, mente sã” porque contribui sempre para o nosso bem-estar e simpatia para com o cliente visto que não concordo com imagem de uma pessoa o dia inteiro à frente do computador que é deveras pouco saudável e que pode criar depressões. Acho que consegue-se conciliar o trabalho com tudo e que devemos investir nos meios para isso.
Num mercado tão pequeno como o português, e com tanta concorrência existente, acha que há espaço para todos no negócio do alojamento web ?
Sim há, acho que há procura suficiente para todos e quem é um bom profissional não tem que temer pois está ciente do seu bom trabalho e do modo como destaca-se. Aliás, há muitas entidades hoje em dia que não possuem um Site, aspecto muito importante actualmente com a banalização do acesso à Internet e Banda Larga.
Eu costumo dar-me muito bem com a concorrência, falo com o Paulo da Trignosfera, Francisco da PTServidor, o Santo da PTWS, o Luís da PTISP, Manny Vivar da Hostdime e de outras empresas. Partilhamos as nossas opiniões e também ideias e é fantástico ter este espírito amigável pois ao fim de contas somos todos pessoas.
Qual a área de negócio (partilhado, revenda, VPS, servidores dedicados, etc) que acha que mais vai evoluir nos próximos anos ?
Do modo como tem corrido até agora acho que é o Alojamento Partilhado e a Revenda de Alojamento visto que são os serviços que temos mais acessíveis a todos e que têm todo o desempenho de um Servidor Dedicado, aspecto onde as VPS pecam, não querendo de maneira alguma desvalorizar as mesmas.
Se houvesse algo que pudesse mudar no negócio ou melhorar a qualidade do serviço o que seria ? Porquê ?
O que pretendia mudar seria o contacto telefónico, aspiro a ter um Call Center para um suporte ainda mais rigoroso mas penso que isso só irá tornar-se realidade daqui a uns anos devido ao investimento disponível. Também gostava de ter um bastidor próprio mas é algo de momento que não é possível, quiça quando a minha necessidade em termos de número de servidores aumentar.
Este último trimestre será um novo ponto de viragem, iremos mais uma vez revolucionar o mercado do alojamento nacional.
Qual é o posicionamento da empresa em termos de marketing ? Em que sectores e meios apostam mais ?
Acho que a PTWebtech está a crescer aos poucos no Marketing, começamos com a criação do programa de Afiliados, depois investimos numa campanha no Adwords que de momento não está activa por motivos internos e temos agora uma campanha promocional de oferta de Livros na compra de um Plano de Alojamento, algo completamente novo neste ramo. Tem-se também apostado na publicidade offline, ou seja, criação de panfletos de publicidade. Também fazemos uma recepção especial aos novos clientes que acho que tem resultado imenso. Futuramente espero ter spots comerciais em meios de comunicação mas só a capacidade financeira irá determinar isso.
O que mais o satisfaz neste mercado tão competitivo ?
Fico muito contente quando vejo que hoje em dia um jovem estudante sem muito poder financeiro possa ter um Alojamento Profissional e Domínio sem elevados custos pois a concorrência provoca a baixa de preços.
Acho que todas as empresas deste ramo estão a fazer a sua missão social de desenvolver a aquisição de serviços deste género pois é assim que desenvolvemos o nosso país.
Como vê a sua empresa daqui a 4 ou 5 anos tendo em conta a evolução constante da tecnologia e do próprio mercado ?
Espero ter já escritório próprio com espaço físico de atendimento aos clientes numa zona estratégica. Tenho também em mente que teremos novos serviços inovadores e a ainda mais tarde criar um grupo de investimento para um Datacenter, sendo este último tópico muito exigente e que espero com todo o esforço pois é o que ambiciono.
Qual é o sistema operativo que usa ? E qual é o seu preferido ?
Eu de momento uso o Windows Vista Ultimate 64 bits e o Windows XP SP3 no meu Netbook. O meu preferido é sinceramente o XP pois é muito mais estável e não tem os entraves que o Vista tem às vezes na instalação de certos programas. Pretendo mudar para o Windows 7 mas com os programas que tenho terei ainda de agendar essa mudança devido ao trabalho.
Numa palavra como melhor descreve a sua empresa ?
Acho que a melhor palavra é “Dinamismo” porque tenho uma mente aberta para inovação nos serviços e estou sempre aberto a novos conhecimentos não tomando nunca uma teoria como absoluta.
O meu nome é Paulo Eduardo e sou o Director Executivo (CEO) da Trignosfera. A Trignosfera nasceu em 2004. Nessa altura a mesma tinha o nome de TugaSolutions e consistia de um serviço apenas e só para empresas. Na altura não existia qualquer site, e os contactos eram feitos quase pessoalmente nas empresas onde se prestavam os serviços.
Não fui um elemento fundador da mesma, tendo entrado por uma brincadeira dos outros 2 sócios que me conheciam de outras andanças… (Análises de Software e Hardware, para sites e revistas da especialidade na altura). Quando entrei para a gestão da TugaSolutions, não tive bem a noção do que ali estava e do potencial que o projecto poderia ter… Havia uma gestão muito básica e não coordenada da mesma, onde faltavam muitas linhas de orientação para que o projecto pudesse ser viável a médio prazo. Com o tempo e com o ganho em termos de conhecimentos na área de hosting, comecei a delinear um projecto viável e com potencial para o futuro…
E assim em finais de 2004 nasce a PTServers. Um novo nome, uma nova postura e novos objectivos, levaram a que um dos sócios, por motivos de vida pessoal deixasse de poder estar no projecto. Foi comprada por mim a parte dele tendo ficado com o controlo da PTServers. O meu outro colega e sócio esteve comigo grande parte de 2005, até que por motivos de ordem pessoal acabou por vender a sua parte no projecto. Tendo-se dedicado a uma outra área também em crescimento em Portugal como o Extreme Benching. Tendo uma postura, serviços e uma imagem mais agressiva, a PTServers afirmou-se como uma empresa que marcava a diferença pela sua qualidade de serviço acima da média e preços muito em conta. Essas premissas fizeram com que a PTServers crescesse furiosamente durante os anos seguintes.
2008 marca outro momento no projecto, com um novo posicionamento de mercado… É criada a Trignosfera, e com ela uma nova imagem e objectivos. Apoiada no sucesso da PTServers a Trignosfera, apresentou serviços ainda mais personalizados e uma infra-estrutura de topo que fez com que a mesma se tornasse uma referência no mercado nacional. Quando me pergunta o que me fez entrar no mercado de hosting, o que lhe posso dizer é que na altura que eu entrei vi que o mercado em Portugal, estava muito pouco desenvolvido e as empresas que apresentavam serviços, não tinham nem a qualidade nem o valor justo que o cliente português merecia. Para mim era imprescindível mudar esse mercado e dinamizar o mesmo… Algo que felizmente aconteceu nestes últimos 5 anos…
O que distingue a empresa dos seus concorrentes e como justifica o seu sucesso online ?
Bem essa é uma pergunta relativamente fácil… O que distingue a Trignosfera dos restantes, é a sua qualidade, honestidade e solidez. É um projecto que já existe há alguns anos e sempre se orientou por uma oferta de qualidade e justa, onde o cliente paga o valor justo para o serviço que tem, e onde não sofre surpresas desagradáveis, como pagamentos não indicados inicialmente ou problemas durante o período contratado. Tratamos todos os nossos clientes como família e temos uma relação de proximidade com o cliente bastante grande. Sendo pelas notificações que normalmente enviamos a eles, ou mesmo pelos vários tipos de apoio que damos. Todos os nossos clientes são bem tratados e nenhum cliente fica com um problema por resolver.
Isso aliado a uma postura profissional e de solidez, fez com que nos tivéssemos consolidado no mercado e provando que é possível ter serviços de alojamento de alta qualidade em Portugal e geridos por portugueses.
Num mercado tão pequeno como o português, e com tanta concorrência existente, acha que há espaço para todos no negócio do alojamento web ?
Bem é uma pergunta pertinente! No entanto relembro que quando começamos o mercado não estava assim… Haviam muito menos “empresas” e as que haviam, não eram de todo competitivas. O que se passou nestes últimos anos, foi um “acordar” do mercado de alojamentos em Portugal. O governo PS, também ajudou na área tecnológica com o desenvolvimento da Banda Larga, o que fez com que empresas e utilizadores pessoais, começasse a querer ter conteúdos online, emails, etc…
Como em todos os mercados, com a procura a aumentar, a oferta inerentemente também começou a aumentar. Surgiram muitas novas empresas, outras mais antigas reestruturaram-se, etc… No meio do “boom” veio também um pouco o caos, onde começaram a aparecer esquemas fraudulentos, de mini empresas e pseudo-empresas de alojamentos, que abriam só para ganhar um bom dinheiro, aliciando clientes com valores muito abaixo do mercado. E que depois fechavam, desaparecendo os seus donos e deixando centenas, senão milhares de utilizadores, empresas e clientes sem os seus dados e sem o seu dinheiro…
Aliás desenganem-se quem pensa que isto é um fenómeno só de Portugal, pois nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, o descalabro foi ainda maior. Com milhares de empresas a fechar todos os dias, só nos Estados Unidos!
A crise veio de uma forma feliz, separar o trigo do joio, obrigando a muitas “pseudo-empresas” a fecharem e a sobreviverem apenas as mais sólidas, estáveis e credíveis. Ter o valor mais barato não é sinónimo de ter o melhor serviço, e muitas vezes os clientes pagam aquilo que depois vão ter em termos de serviço. Durante este ano o mercado deverá encolher libertando um pouco as empresas que ficarem no mesmo, para fazerem progredir o mercado para a frente. Isto porque depois deste período de desaceleração, acredito que os próximos anos vão ser de crescimento.
Qual a área de negócio (partilhado, revenda, VPS, servidores dedicados, etc) que acha que mais vai evoluir nos próximos anos ?
Penso que todas as áreas vão evoluir de forma mais ou menos homogénea. No entanto penso que os negócios que vão crescer mais vão ser os dos alojamentos tradicionais e revendas. Sendo que muitas revendas durante o próximo ano, deverão crescer e passar para VPS. Com o desenvolvimento de servidores cada vez mais potentes as VPS irão sobrepôr-se aos Servidores Dedicados como uma aposta mais barata e de igual ou superior qualidade. Alias é nesse mercado que a Trignosfera está a apostar, em alternativa aos servidores dedicados.
Se houvesse algo que pudesse mudar no negócio ou melhorar a qualidade do serviço o que seria ? Porquê ?
Actualmente todas as nossas áreas de mercado estão estruturadas de forma optimizada e apropriada. No entanto áreas chave que estamos constantemente a apostar e a melhorar, são a nossa infra-estrutura e o nosso suporte ao cliente. Isto porque são áreas que estão em constante evolução e estão interligadas, melhores serviços e novas funções, implicam poder ajudar e explicar também aos clientes quando existe algum problema ou dúvida.
Qual é o posicionamento da empresa em termos de marketing ? Em que sectores e meios apostam mais ?
Actualmente apostamos muito na publicidade directa com projectos apoiados, apoio a projectos sem fins lucrativos e actividades pontuais. Em publicidade indirecta, contamos com muita publicidade chamada “boca a boca” onde os clientes recomendam a Trignosfera aos seus clientes, colegas e amigos. Por fim estamos a desenvolver um projecto de SEO, para pelo menos 2 anos, onde será feito uma aposta muito grande no nome Trignosfera e no que o mesmo significa como empresa de serviços de Internet.
O que mais o satisfaz neste mercado tão competitivo ?
Pessoalmente, ter os meus clientes satisfeitos, e recomendarem o serviço da Trignosfera a outros clientes. Nada me dá mais prazer do que receber um email, com o pedido de alojamento, que foi recomendado por outro colega, que é cliente da Trignosfera. É para mim o reconhecimento, que a Trignosfera tem feito o seu “trabalho de casa” e é reconhecida como uma empresa de serviços de qualidade e honestidade para com os seus clientes.
Como vê a sua empresa daqui a 4 ou 5 anos tendo em conta a evolução constante da tecnologia e do próprio mercado ?
Bem todos os empresários de uma forma ou outra, pretendem sempre o melhor para a sua empresa, no entanto na Trignosfera, já fizemos alguns estudos e algumas previsões, tendo em conta o caminho que já se percorreu. E se tudo correr como o previsto, a mesma irá concerteza crescer nos próximos anos. Estamos a estudar a diversificação do nosso mercado não só em Portugal, mas em todos os Países de Língua Oficial Portuguesa, apresentando ofertas adequadas às realidades de cada país.
Mas ao contrário de empresas que se deslocalizam para maximizar os seus ganhos, a Trignosfera irá ter a sua sede e infra-estrutura em Portugal. Tal irá permitir um total controlo sobre a mesma infra-estrutura, minimizar as resoluções de problemas ou actualizações que possam ser necessárias, etc… Contamos aumentar exponencialmente o nosso número de clientes e servidores, mantendo no entanto a mesma premissa que sempre tivemos: Máxima qualidade sem compromissos.
Qual é o sistema operativo que usa ? E qual é o seu preferido ?
Bem eu pessoalmente uso vários, já que tenho várias máquinas e portáteis. Uso Windows Vista, Windows 7 e Gnu/Linux Unbuntu. No entanto não tenho preferidos. Isto porque todos têm a sua função específica dependendo das máquinas onde correm. No entanto posso dizer que o mais me surpreendeu recentemente foi o Windows 7.
Numa palavra como melhor descreve a sua empresa ?
Qualidade e Prestígio! (Bem acabaram por ser 2 palavras!).
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Muito bom essa entrevista, valeu!